Higiene bucal em pacientes em ventilação mecânica

A realização adequada da higiene bucal em pacientes submetidos à ventilação mecânica representa uma estratégia essencial na prevenção de infecções respiratórias, favorecendo a segurança do paciente e a melhoria dos desfechos clínicos.

O que é o biofilme bucal?

O biofilme bucal é uma camada organizada de microrganismos, como bactérias e fungos, que se aderem às superfícies da cavidade oral, incluindo dentes, gengivas, língua e próteses (JUN et al, 2021).

Em ambiente hospitalar, especialmente durante a ventilação mecânica, fatores como redução do fluxo salivar e alterações do pH bucal aceleram sua formação (ALRAWASHDEH et al, 2025).

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Por que a higiene bucal é tão importante na UTI?

Além de comprometer a saúde oral, os microrganismos presentes no biofilme podem alcançar a corrente sanguínea ou ser aspirados para os pulmões, contribuindo para infecções sistêmicas e respiratórias. A presença de patógenos respiratórios na cavidade oral representa um importante fator de risco para pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (KANAMORI et al, 2025; WINNIG et al, 2021).

Como a higiene bucal contribui para a prevenção de infecções?

Estudos demonstram que protocolos estruturados de higiene bucal reduzem significativamente a ocorrência de pneumonias hospitalares, incluindo a Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV).

Essa prática também está relacionada à redução do tempo de internação, do uso de antimicrobianos e dos custos hospitalares (YAMAKITA et al, 2024; SUWEN et al, 2024).

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Qual a relação entre saúde bucal e saúde sistêmica?

Condições bucais inadequadas podem favorecer episódios de bacteremia transitória, aumentar a resposta inflamatória sistêmica e elevar o risco de complicações, como a endocardite infecciosa. Por isso, a manutenção da saúde bucal é considerada uma estratégia importante para a prevenção de agravos sistêmicos (SOUZA;LOPES, 2020; AHA, 2021).

Quais são os pilares da higiene bucal em pacientes críticos?

Os pilares baseiam-se principalmente na remoção mecânica do biofilme, na limpeza das mucosas e na hidratação contínua da cavidade oral.

 

Dessa forma, torna-se imprescindível a realização da avaliação da cavidade bucal, entendida como um exame sistemático das estruturas orais com o objetivo de identificar alterações que possam comprometer a saúde do paciente, subsidiando o planejamento e a implementação de cuidados adequados. Para essa finalidade, recomenda-se a utilização de instrumentos validados, como a Beck’s Oral Assessment Scale (BOAS), que possibilita uma avaliação padronizada das condições da cavidade oral.

Como orientação para a aplicação do instrumento, o profissional responsável pela avaliação deve atribuir e somar os escores correspondentes a cada categoria analisada. O escore total pode variar de 5 a 20 pontos, sendo que valores mais baixos indicam condições orais saudáveis, enquanto escores mais elevados refletem maior comprometimento da cavidade bucal, podendo representar disfunção grave.

Pontuação total:

  • 0-5: Nenhuma disfunção
  • 6-10: Disfunção leve
  • 11-15: Disfunção moderada
  • 16-20: Disfunção grave

A partir da soma dos escores obtidos em cada categoria avaliada, o resultado final é interpretado conforme a seguinte classificação:

Fonte: AMIB, 2026.

Como deve ser realizada a higiene bucal?

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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