Higiene das Mãos
No Brasil, cerca de onze pessoas morrem por hora em virtude de infecções hospitalares. A higiene das mãos (HM) é a medida mais simples, mais eficaz e menos dispendiosa utilizada para prevenir infecções de origem hospitalar (OMS, 2014).
Você sabe qual a importância da higienização das mãos? Confira o vídeo abaixo para aprender um pouco mais sobre essa prática tão importante para a prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência em Saúde (IRAS).
Apesar de ser uma medida simples, estudos apontam que a taxa global de adesão à HM é de apenas 57% entre os profissionais de saúde, havendo, portanto, a necessidade da mudança do panorama de ausência da prática da higiene adequada das mãos entre os profissionais de saúde (ANVISA, 2022).
Higienização das mãos
A HM abrange a higienização simples com água e sabão, higienização antisséptica, higienização com preparação alcoólica e antissepsia cirúrgica das mãos (OMS, 2014).
Dessa forma, a HM confere-se como uma ação indispensável e que deve ser realizada da forma correta, uma vez que as mãos dos profissionais de saúde quando não estão higienizadas representam a principal via de transmissão cruzada entre pacientes em serviços de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a realização de cinco momentos para a realização da higienização das mãos, sendo elas:
Fonte: OMS, 2014.
Uso de luvas e a HM
Segundo Fuller et al., o uso luvas de está associado a baixa adesão à higiene das mãos. Observa-se, na prática, que os profissionais da saúde usam as luvas e até trocam as luvas entre um paciente e outro e, com essa troca de luvas, esses profissionais acabam não higienizando as mãos.
IMPORTANTE
O uso de luvas substitui a higienização das mãos?
É importante destacar que, mesmo com a utilização de luvas, o seu uso NÃO substitui a higiene das mãos e a sua realização nos 5 momentos preconizados pela OMS.
Higiene simples das mãos com água e sabão
A higienização com água e sabão é um procedimento simples com duração de 40- 60 segundos.
A imagem abaixo demonstra o passo a passo da higienização das mãos com água e sabão:
Fonte: OMS, 2014.
É importante frisar que as práticas de higiene das mãos são mais eficazes quando a pele está íntegra, sem lesões ou cortes; quando as unhas encontram-se curtas, isentas de esmalte; e quando as mãos e os punhos estão livres de adornos e completamente descobertos (OMS,2014).
IMPORTANTE
Obrigatoriedade da higiene das mãos com água e sabão
As mãos devem ser lavadas quando estiverem visivelmente sujas, quando a exposição a potenciais organismos formadores de esporos (ex. Clostridium difficile) é fortemente suspeita ou comprovada e após utilizar o banheiro (OMS,2014).
Fricção antisséptica das mãos com preparação alcóolica
O processo de fricção das mãos com preparação alcóolica deve durar de 20 a 30 segundos e deve-se friccionar a mão em todas as suas superfícies (OMS, 2014).
Fonte: OMS, 2014.
O volume dispensado da preparação alcóolica deve ser compatível com o tamanho das mãos, pois volumes maiores que o necessário prolongam o tempo de secagem, ocasionando impacto na aceitação e desempenho da HM. Por outro lado, quantidades menores do que o necessário de preparação alcóolica podem ser insuficientes para cobrir todas as superfícies da mão (OMS, 2014).
Dessa forma, a técnica correta no momento certo (preconizado pelos Cinco Momento de Higienização das Mãos, da OMS) é a garantia de um cuidado seguro aos pacientes.
Cuidado adequado com a pele das mãos
O uso frequente e repetido de produtos para higiene das mãos, especialmente sabonetes, pode levar a casos de dermatite de contato irritativo entre os profissionais de saúde, principalmente em locais com atividade de cuidados intensivos onde a ação da higiene das mão é necessária múltiplas vezes por hora.
Assim, os cuidados com as mãos, como o uso diário de cremes de boa qualidade e a adoção de comportamentos adequados, são de suma importância, visando evitar danos à pele.
Com relação ao uso diário de creme, recomenda-se ao termino do plantão, visto que seu uso durante o turno de trabalho pode comprometer a eficácia da clorexidina.
Cuidados recomendados e evitáveis no cuidado das mãos

Comportamentos que devem ser seguidos no cuidado com a pele das mãos
- Friccionar as mãos até a completa evaporação da preparação alcoólica;
- Secar cuidadosamente as mãos após higienizá-las com sabonete (líquido ou espuma) e água;
- Retirar todo o resíduo de sabão ao realizar a higienização das mãos;
- Aplicar ao fim da jornada de trabalho um creme protetor para as mãos.

Comportamentos evitáveis no cuidado com a pele das mãos
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Uso simultâneo de sabonete (líquido ou espuma) e água e produtos alcoólicos;
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Uso de água quente para higienizar as mãos com sabonete (líquido ou espuma) e água;
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Calçar luvas com as mãos molhadas, uma vez que isso pode causar irritação;
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Higienizar as mãos além das indicações recomendadas;
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Uso de luvas fora das recomendações.
SAIBA MAIS…
Antissepsia Cirúrgica das Mãos
Quando se trata do ambiente hospitalar, é importante conhecer também a forma de realização da antissepsia cirúrgica das mãos. O botãos abaixo direciona para esse curso, que é de suma importância para a prática profissional:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Manual de Referência Técnica para a Higiene das Mãos. Brasília: Anvisa, 2014. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-de-infeccao-e-resistencia-microbiana/ManualdeRefernciaTcnica.pdf. Acesso em: 16 maio 2025.
BRASIL. MEDIDAS DE PRECAUÇÃO RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. Disponível em: <https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/huap-uff/acesso-a-informacao/documentos-institucionais/protocolos/protocolo-de-medidas-de-precaucao-relacionadas-a-assistencia-a-saude-e-uso-de-equipamentos-de-protecao-individual-do-huap-uff.pdf/@@download/file>. Acesso em: 16 maio. 2025.
FULLER, Christopher; SAVAGE, Joanne; BESSER, Sarah; et al. “The dirty hand in the latex glove”: a study of hand hygiene compliance when gloves are worn. Infection Control and Hospital Epidemiology, Chicago, v. 32, n. 12, p. 1194-1199, dez. 2011. DOI: 10.1086/662619.