Prevenção de Infecções de Corrente Sanguínea
Apesar da taxa de mortalidade entre os pacientes com infecções de corrente sanguínea (ICS) ser de 40%, as ICSs configuram-se como a infecção associada a cuidados em saúde com o maior potencial preventivo que existe.
Fisiopatologia das ICSs
Nas primeiras duas semanas após a inserção do cateter, a colonização extraluminal predomina na gênese da infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter central. Ou seja, as bactérias provenientes da pele alcançam a corrente sanguínea após formarem biofilmes na superfície externa do dispositivo.
Entretanto, após esse período, especialmente em cateteres de longa permanência, passa a predominar a colonização intraluminal como principal fonte de infecção. Isso ocorre devido ao aumento progressivo do número de manipulações no hub do cateter, o que favorece sua contaminação.
A infusão de soluções contaminadas, resultante de práticas inadequadas no preparo ou administração dos medicamentos, pode também causar infecção. Embora raro, pode ocorrer colonização da ponta do cateter por meio da disseminação hematogênica, ou seja, a partir de bactérias presentes no sangue que colonizam o dispositivo, levando à infecção.
Fonte: ANVISA, 2017.
Na imagem acima, está descrita a fisiopatologia das IPCSs. Você consegue imaginar, pensando na imagem, quais são as principais formas de prevenção relacionadas aos tópicos descritos?
Indicações do CVC
O cateter venoso central (CVC) é um dispositivo intravascular utilizado para acesso direto à circulação central, permitindo a infusão de soluções, administração de medicamentos vesicantes, nutrição parenteral, monitorização hemodinâmica e coleta de amostras sanguíneas.
São indicações para inserção do CVC:
A prevenção das IPCSs podem ser divididas em dois momentos:
1. Prevenção na inserção do cateter;
2. Prevenção durante a manutenção do cateter.
Prevenção de Infecção na inserção do cateter
Na inserção do cateter, recomenda-se a realização das seguintes medidas:

Do ponto de vista infeccioso, a ordem de preferência de inserção é: veia subclávia > veia jugular > veia femoral;

Visando evitar a estenose venosa, no caso da terapia dialítica, deve-se evitar a veia subclávia, dando preferência à cateterização da veia jugular ou femoral;

Deve-se dar preferência à inserção guiada por ultrassom, devido à menor ocorrência de complicações mecânicas;

Os profissionais de saúde envolvidos na inserção do cateter e aqueles que estiverem até 1 metro de distância devem utilizar máscara cirúrgica e gorro cobrindo totalmente os cabelos;
Segundo recomendações da ANVISA (2017), não deve-se realizar punção em veia femoral de rotina, pois a inserção neste sítio está associada a maior risco de desenvolvimento de infecção da corrente sanguínea relacionada à cateter central.

Além disso os profissionais que irão puncionar devem realizar a antissepsia cirúrgica das mãos, colocar o avental estéril de mangas longas e as luvas estéreis;

Usar campo fenestrado no sitio de inserção e o campo estéril longo, que cubra todo o paciente;

No sítio de inserção do acesso vascular central, deverá ser realizada a degermação da pele com clorexidina degermante de 0,5% a 2% e para a limpeza, soro fisiológico ou água destilada para remoção do resíduo;

Realizar a técnica asséptica para realização do curativo e fixar adequadamente o cateter;
SAIBA MAIS…
Antissepsia cirúrgica das mãos
O conhecimento da realização correta da antissepsia cirúrgica das mãos é de suma importância na prevenção de IPCSs. O link abaixo direciona para esse curso já presente na plataforma:
Prevenção de Infecção na manutenção do cateter
A prevenção durante a manutenção do cateter pode ser dividida em 6 processos principais:
A higienização das mãos deve ocorrer antes e após a inserção e para qualquer tipo de manipulação do cateter, conforme preconiza os Cinco Momentos da OMS;
- Usar máscara cirúrgica, luva estéril e realizar limpeza do óstio com clorexidina alcoólica >0,5% na realização do curativo;
- Nunca reintroduzir um cateter que tenha saído da posição inicial;
- Realizar a troca da cobertura gaze a cada 48 horas e a troca da cobertura estéril transparente a cada 7 dias;
- Qualquer tipo de cobertura deve ser trocada imediatamente, independente do prazo, se estiver suja, solta ou úmida.
- Realizar desinfecção das conexões, conectores valvulados e ports de adição de medicamentos com solução antisséptica a base de álcool, com movimentos aplicados de forma a gerar fricção mecânica, de 5 a 15 segundos;
- Salinização desses cateteres deve ser realizada a cada 12 horas ou após administração de medicamento utilizando a técnica de turbilhonamento, administrar 10 ml de SF 0,9% em cada via;
- Usar máscara cirúrgica e touca no preparo e administração de medicamentos;
- Realizar desinfecção do frasco/ampola com álcool a 70% antes de abri-lo;
- Não utilizar seringas de medicamentos em bolsos ou roupas;
- Minimizar o uso de equipos e extensões com vias adicionais. Cada via é uma potencial fonte de contaminação;
- Proteja a ponta do equipo de forma asséptica com uma capa protetora estéril, de uso único, caso haja necessidade de desconexão. Não utilize agulhas para proteção;
- Necessidade de fazer uma reavaliação diária da necessidade de permanência do CVC, sendo parte das visitas multidisciplinares, com pronta remoção quando não houver indicação;
- Documentar a data e a hora da inserção do cateter para auxiliar na identificação do tempo em que o cateter está inserido e na tomada de decisão;
- Avaliar, no mínimo uma vez ao dia (no caso de curativo transparente), o sítio de inserção dos cateteres centrais, por inspeção visual e palpação sobre o curativo intacto;
- Pacientes com sensibilidade no local da inserção, febre sem fonte óbvia, ou outras manifestações sugerindo infecção local: remover o curativo para permitir o exame minucioso do sitio.
- Não realizar troca pré-programada de dispositivo, ou seja, não o substituir exclusivamente em virtude de tempo de sua permanência;
- Em geral, trocas por fio guia devem ser limitadas a complicações não infecciosas (ruptura e obstrução);
- Recomenda-se o uso de um lúmen exclusivo para nutrição parenteral;
- No caso de dispositivos não valvulados, cobrir as entradas com tampas estéreis e de uso único (descarta após cada uso).
Agora, você já sabe as principais formas de prevenção das IPCSs, associadas à sua fisiopatologia:
Fonte: Adaptado de ANVISA (2017).
Agora, você pode testar os seus conhecimentos acerca do tema através do formulário abaixo:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. 2. ed. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.pdf/view. Acesso em: 24 jul. 2025.