Antissepsia cirúrgica das mãos

As Infecções de Sítio CIrúrgico (ISCs) representam uma das maiores preocupações em qualquer ambiente hospitalar, pois elas representam um risco significativo à segurança do paciente e podem aumentar tanto a mortalidade quanto o tempo de internação (ANVISA, 2017). Cerca de 5% dos pacientes cirúrgicos desenvolvem uma ISC (NICE, 2008), embora essa incidência possa dobrar quando a vigilância inclui acompanhamento ativo pós-alta (LEAPER, 2015). Nesse panorama, a realização correta da antissepsia cirúrgica das mãos representa um dos principais aliados ao combate das ISCs.

Considerando a utilização de luvas estéreis durante o procedimento cirúrgico, qual é a fundamentação científica que torna indispensável a realização prévia da antissepsia cirúrgica das mãos?

SAIBA MAIS…

Utilização de luvas estéreis durante o procedimento cirúrgico e a realização prévia da antissepsia cirúrgica das mãos

A antissepsia cirúrgica das mãos é uma etapa crítica da segurança do paciente. Embora as luvas estéreis sejam uma barreira física essencial, elas não garantem esterilidade absoluta durante todo o procedimento. Entenda os pilares que tornam a antissepsia obrigatória:

Falhas na Barreira Física: Luvas cirúrgicas sofrem microperfurações frequentemente, muitas vezes imperceptíveis ao olho humano, especialmente em procedimentos longos.

Ambiente de Proliferação: O calor e a umidade dentro das luvas criam um ambiente ideal para a rápida multiplicação dos microrganismos da flora cutânea residente.

Efeito “Bombeamento”: A movimentação das mãos durante a cirurgia pode forçar a passagem de fluidos contaminados através de poros ou microperfurações das luvas, depositando bactérias diretamente no sítio cirúrgico.

Redução da Carga Microbiana: A antissepsia cirúrgica vai além da limpeza comum; ela reduz drasticamente tanto a flora transitória quanto a residente, minimizando drasticamente o risco de infecção caso ocorra a ruptura da luva.

O que é a antissepsia cirúrgica das mãos?

A antissepsia cirúrgica das mãos é um procedimento que visa eliminar a microbiota transitória da pele e reduzir a microbiota residente, além de apresentar efeito residual na pele do profissional (ANVISA, 2017).

Fonte: Autoria própria, 2025.

Dessa forma, a pele nunca poderá ser considerada totalmente estéril, mas a antissepsia cirúrgica das mãos busca eliminar o máximo possível dos microrganismos presentes nas unhas, mãos, braços e antebraços, evitando o seu crescimento durante a realização do procedimento cirúrgico e prevenindo, assim, a ocorrência de ISCs (ANVISA, 2017).

Segundo PEIXOTO et al (2020), a realização da técnica de antissepsia cirúrgica das mãos no tempo e da forma preconizada pela OMS geram melhores resultados no que tange à redução bacteriana, em comparação à tempos menores do que o preconizado. 

Orientações gerais para a antissepsia cirúrgica das mãos

  • Ao realizar esse procedimento, o profissional já deve estar com gorro e máscara;

  • Retirar adornos, como anéis, relógio, pulseiras, entre outros;

  • O procedimento deve durar de 3 a 5 minutos para o primeiro procedimento e 2 a 3 minutos para os subsequentes.

No caso da antissepsia cirúrgica das mãos com produtos à base de álcool, a sequência de fricção de um produto à base de álcool nas mãos e antebraços dura cerca de 60 segundos e essa sequência deve ser repetida de duas a três vezes (ANVISA, 2020).

Tradicionalmente, o procedimento é realizado com o uso de escovas e esponjas descartáveis, de uso individual e que contém soluções antissépticas à base de gluconato de clorexidina a 2% ou polivinilpirrolidona iodado 10% (PVPI) (ANVISA, 2017).

Técnica da antissepsia cirúrgica das mãos

A técnica de antissepsia cirúrgica das mãos deve ser realizada em um lavabo cirúrgico. As torneiras dos lavabos cirúrgicos devem dispensar o uso das mãos e cuja altura e profundidade deve ser suficientes para permitir a realização da técnica sem que os membros superiores toquem as torneiras ou a borda do lavabo e devem impedir respingos de água no uniforme privativo do profissional (ANVISA, 2017).

Confira o vídeo abaixo sobre a realização correta da antissepsia cirúrgica das mãos e os materiais necessários para a mesma:

Em suma, o processo de antissepsia cirúrgica das mãos deve apresentar os seguintes passos:

Fonte: ANVISA, 2017.

Principais erros relacionados à antissepsia cirúrgica das mãos

Pressão do antisséptico apenas nas mãos

O procedimento correto exige a aplicação e espalhamento do antisséptico iniciando-se pelas mãos, depois antebraços e finalmente cotovelos. A falha nessa sequência reduz a eficácia da técnica, deixando áreas suscetíveis à contaminação.

Tempo e intensidade insuficientes na fricção (mãos-cotovelo e espaços interdigitais)

A realização da técnica de antissepsia cirúrgica das mãos no tempo e da forma preconizada pela OMS geram melhores resultados no que tange à redução bacteriana, em comparação à tempos menores do que o preconizado.

Presença de resíduos

O enxágue fora da ordem preconizada favorece a presença de resíduos de antisséptico no cotovelo. Outro problema é não deixar as mãos elevadas em relação ao cotovelo. 

Fechamento da torneira

O contato inadequado com a torneira durante o fechamento favorece a contaminação das mãos e antebraços.

Secagem

A falha na secagem possibilita que água e microrganismos retornem para as áreas já secas e limpas.

Uso das cerdas

As cerdas devem ser utilizadas somente nas unhas, pois o uso nas mãos e antebraços pode causar microlesões na pele.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Critérios diagnósticos de infecções relacionadas à assistência à saúde. Brasília: Anvisa, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/criterios_diagnosticos_infeccoes_assistencia_saude.pdf. Acesso em: 01 jun. 2025.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde, n. 4. Brasília: Anvisa, 2. ed., 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.pdf. Acesso em: 29 jul. 2025.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Segurança do paciente em serviços de saúde: higienização das mãos. Brasília: Anvisa, 2009. 105 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_servicos_saude_higienizacao_maos.pdf. Acesso em: 13 jun. 2025.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Técnica para Antissepsia Cirúrgica das Mãos com Produto à Base de Álcool. Brasília, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/cartazes/cartaz_6.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025.
EURONDA. The importance of washing your hands with a surgical scrub brush. 12 out. 2021. Disponível em: https://alle.euronda.com/the-importance-of-washing-your-hands-with-a-surgical-scrub-brush/. Acesso em: 5 set. 2025.
PEIXOTO, Juliana Gil Prastes; BRANCO, Aline; DIAS, Cícero Armídio Gomes; MILLÃO, Luzia Fernandes; CAREGNATO, Rita Catalina Aquino. Antissepsia cirúrgica das mãos com preparação alcoólica: redução microbiana em diferentes tempos de uso no centro cirúrgico. Revista SOBECC, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 83–89, jun. 2020. DOI: 10.5327/Z1414‑4425202000020004. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/601. Acesso em: 29 jul. 2025.
LEAPER, David J.; TANNER, Judith; KIERNAN, Martin; ASSADIAN, Ojan; EDMISTON JR, Charles E. Surgical site infection: poor compliance with guidelines and care bundles. International Wound Journal, [s. l.], v. 12, n. 3, p. 357–362, jun. 2015. DOI: 10.1111/iwj.12243. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7950697/. Acesso em: 29 jul. 2025.
EURONDA – Alle®. The importance of washing your hands with a surgical scrub brush. Edição em língua inglesa, publicado em 12 de outubro de 2021. Disponível em: https://alle.euronda.com/the-importance-of-washing-your-hands-with-a-surgical-scrub-brush/ . Acesso em: 5 ago. 2025.

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